Acubalin e Terreiro Ile Un Zambi promovem manifesto contra exclusão social


O Noticiado (São Sebastião/SP) – 16/05/2011 – 20h34


Saulo Almeida

A ONG Acubalin (Associação de Cultura Banto do Litoral Norte) e o Terreiro Ile Un Zambi promoveram na sexta-feira, dia 13 de maio, um manifesto na Rua da Praia, região central de São Sebastião, para marcar a luta contra a exclusão social e religiosa dos afros descendentes.

Durante o evento, houve apresentação da dança de jongo, do samba de roda, sempre ao ritmo dos atabaques, que envolveu não apenas aqueles que estavam se apresentando, mas também as pessoas ao redor.
Também foi apresentado o documentário “NKISI NA DIÁPORA:
RAÍZES RELIGIOSAS BANTU NO BRASIL, imagens captadas durante a viagem feita pelos integrantes da Ong Acubalin ao centro- sul da África, no antigo reino do Kongo, onde os portugueses estabeleceram os primeiros contatos no século XV.

“Há mais de um século, no dia 13 de maio, foi assinada a Lei Áurea, colocando um fim a escravidão, hoje essa data é importante para lembrar que continua a nossa luta contra a exclusão social e religiosa, ainda existente na nossa sociedade”, explica o fundador do Terreiro, Ataualpa Figueiredo, também conhecido por Tata Cajalacy.
Figueiredo ressalta a importância de valorizar a cultura negra, lembrando a importância da região do Litoral Norte e Vale do Paraíba no movimento pelo fim da escravidão, na qual se destaca a cidade de Taubaté, onde a liberdade dos negros ocorreu antes da Lei Áurea, no dia 4 de março.


“Hoje os costumes afro misturam-se a hábitos europeus, como exemplo posso citar a realização de sessão solene e palestras tão comuns nessa data. Nosso objetivo não é politizar a data, mas aproveitar para lembrar a nossa luta por mais respeito e valorização a cultura afro”, explica.

Durante o evento, Ataualpa Figueiredo ressaltou o fato do Terreiro de Candomblé Ilê ‘N Zambi ter recebido, no dia 18 de março deste ano, o registro de Sítio Arqueológico do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), órgão do Governo Federal, vinculado ao Ministério da Cultura.

Com esse registro, o Terreiro passou a ter a garantia de permanência na área onde está localizado, assegurada pelo Governo Federal, assim somente poderá sofrer alguma intervenção com a autorização do seu fundador.

Figueiredo ressaltou também que a ONG Acubalin, a partir desse ano, passou a integrar o Conselho Municipal da Comunidade Negra de São Sebastião.
“O tombamento do terreiro e a participação da ONG no Conselho Negro são vitórias que devem ser comemoradas pelos afros descendentes, pois vão contribuir para manter acesa a chama da luta contra a exclusão social, racial e religiosa, que não terminou com o fim da escravidão”, explica Figueiredo.

Mais Informação:
Terreiro Ilê ‘N Zambi
Endereço: Travessa 2 da Avenida Orlando Alves de Sousa n°, 223 – Caraguatatuba – SP – CEP 11668-300
Tel – (12) 3887- 4752 ou (11) 9 7549- 0626 (com Janaína Figueiredo)

Fonte: Dani Outi

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